DEUS, eu sei pouco ou quase nada da vida;
DEUS, eu sei muito pouco de mim;
DEUS, eu não consigo compreender tudo
o quanto Tu és:
Poderoso,
Amável,
Misericordioso.
DEUS, eu também não consigo entender de onde vêm:
Tanto poder,
Tanta sapiência,
Tanto amor para com o mundo,
E para com cada um dos Teus filhos.
DEUS, não condenes a minha inquietude
por querer compreender
e por pensar assim a Teu respeito.
DEUS, obrigado por não me permitires entender
quase nada do que estou registrando.
Todavia, esse quase nada
já é suficiente para eu me curvar diante de Ti
e dizer-Te:
Obrigado, DEUS,
por eu compreender um pouco
sobre as minhas limitações.
Jairo Borges
Comentarios
Que oração bonita, professor Jairo.
O senhor fez o caminho inverso que a maioria faz. Em vez de dizer "obrigado porque entendo", o senhor diz "obrigado porque NÃO entendo". E é justamente esse quase nada que já basta pra se curvar.
Essa inquietude que o senhor pede pra Deus não condenar... é a matéria-prima do poeta. Quem não se inquieta não pergunta, quem não pergunta não escreve.
Gostei muito do ritmo também - esse DEUS em caixa alta no começo de cada estrofe como quem chama, chama, chama, até ficar sem palavras e só agradecer pela própria limitação.
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