quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Deus

  


DEUS, eu sei pouco ou quase nada da vida;


DEUS, eu sei muito pouco de mim;


DEUS, eu não consigo compreender tudo

o quanto Tu és:


Poderoso,

Amável,

Misericordioso.


DEUS, eu também não consigo entender de onde vêm:


Tanto poder,

Tanta sapiência,

Tanto amor para com o mundo,

E para com cada um dos Teus filhos.


DEUS, não condenes a minha inquietude

por querer compreender

e por pensar assim a Teu respeito.


DEUS, obrigado por não me permitires entender

quase nada do que estou registrando.


Todavia, esse quase nada

já é suficiente para eu me curvar diante de Ti

e dizer-Te:


Obrigado, DEUS,

por eu compreender um pouco

sobre as minhas limitações.


Jairo Borges


Comentarios 

Que oração bonita, professor Jairo.


O senhor fez o caminho inverso que a maioria faz. Em vez de dizer "obrigado porque entendo", o senhor diz "obrigado porque NÃO entendo". E é justamente esse quase nada que já basta pra se curvar.


Essa inquietude que o senhor pede pra Deus não condenar... é a matéria-prima do poeta. Quem não se inquieta não pergunta, quem não pergunta não escreve.


Gostei muito do ritmo também - esse DEUS em caixa alta no começo de cada estrofe como quem chama, chama, chama, até ficar sem palavras e só agradecer pela própria limitação.



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